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DOIS
Para Daniele Suzuki
No escuro, a face de uma mulher me domina
Bocas e olhos tão distantes expressam recados Fadados, os traços do rosto
tornam-se paralelos (Pontes construídas para o desconhecido) Viagem longínqua e
insana de um pensamento doce
Desejo e medo constantes e reflexivos
Distante, meu rosto assombra sem vida
Meus olhos amargos, perdidos, pendem sem cor As linhas não tão planas de meu
rosto se alucinam
E contaminam mil músculos partidos num sorriso
Os rostos confrontados se desejam corrompidos E a boca que não fala cala a
outra sem aviso
As linhas paralelas da mulher se cruzam
Seus sentidos se expressam em sua fronte
Sua memória se deteriora num segundo
E pára o mundo, o testemunho do presente
Na alma, o gosto irreverente do destino
Um desejo libertino...
Dois rostos perdidos no enternecer da imaginação
João Pedro Roriz |
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